O Bullying na Escola.
Bullying Estudos sobre as influências do ambiente escolar e
dos sistemas educacionais sobre o desenvolvimento acadêmico do jovem já vêm
sendo realizados, mas é necessário também que tais influências sejam observadas
pela ótica da saúde. A escola é de grande significância para as crianças e
adolescentes, e os que não gostam dela têm maior probabilidade de apresentar
desempenhos insatisfatórios, comprometimentos físicos e emocionais à sua saúde
ou sentimentos de insatisfação com a vida. Os relacionamentos interpessoais
positivos e o desenvolvimento acadêmico estabelecem uma relação direta, onde os
estudantes que perceberem esse apoio terão maiores possibilidades de alcançar
um melhor nível de aprendizado14. Portanto, a aceitação pelos companheiros é
fundamental para o desenvolvimento da saúde de crianças e adolescentes,
aprimorando suas habilidades sociais e fortalecendo a capacidade de reação
diante de situações de tensão15. A agressividade nas escolas é um problema
universal. O bullying e a vitimização representam diferentes tipos de
envolvimento em situações de violência durante a infância e adolescência. O
bullying diz respeito a uma forma de afirmação de poder interpessoal através da
agressão. A vitimização ocorre quando uma pessoa é feita de receptor do
comportamento agressivo de outra mais poderosa. Tanto o bullying como a
vitimização têm consequências negativas imediatas e tardias sobre todos os
envolvidos: agressores, vítimas e observadores16. Por definição, bullying
compreende todas as atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem
sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudante contra outro(s),
causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma relação desigual. Essa
assimetria de poder associada ao bullying pode ser consequente da diferença de
idade, tamanho, desenvolvimento físico ou emocional, ou do maior apoio dos
demais estudantes3,11,17. Trata-se de comportamentos agressivos que ocorrem nas
escolas e que são tradicionalmente admitidos como naturais, sendo habitualmente
ignorados ou não valorizados, tanto por professores quanto pelos pais. A adoção
universal do termo bullying foi decorrente da dificuldade em traduzi-lo para
diversas línguas. Durante a realização da Conferência Internacional Online
School Bullying and Violence, de maio a junho de 2005, ficou caracterizado que
o amplo conceito dado à palavra bullying dificulta a identificação de um termo
nativo correspondente em países como Alemanha, França, Espanha, Portugal e
Brasil, entre outros18. As pesquisas sobre bullying são recentes e ganharam
destaque a partir dos anos 1990, principalmente com Olweus, 1993; Smith &
Sharp, 1994; Ross, 1996; Rigby, 19963. Estudos indicam que a prevalência de
estudantes vitimizados varia de 8 a 46%, e de agressores, de 5 a 30%3,19. A
escola é vista, tradicionalmente, como um local de aprendizado, avaliando-se o
desempenho dos alunos com base nas notas dos testes de conhecimento e no
cumprimento de tarefas acadêmicas. No entanto, três documentos legais formam a
base de entendimento com relação ao desenvolvimento e educação de crianças e
adolescentes: a Constituição da República Federativa do Brasil, o Estatuto da
Criança e do Adolescente e a Convenção sobre os Direitos da Criança da
Organização das Nações Unidas. Em todos esses documentos, estão previstos os
direitos ao respeito e à dignidade, sendo a educação entendida como um meio de
prover o pleno desenvolvimento da pessoa e seu preparo para o exercício da
cidadania. Todos desejamos que as escolas sejam ambientes seguros e saudáveis,
onde crianças e adolescentes possam desenvolver, ao máximo, os seus potenciais
intelectuais e sociais. Portanto, não se pode admitir que sofram violências que
lhes tragam danos físicos e/ou psicológicos, que testemunhem tais fatos e se
calem para que não sejam também agredidos e acabem por achá-los banais ou, pior
ainda, que diante da omissão e tolerância dos adultos, adotem comportamentos
agressivos.
Ler mais em: http://www.scielo.br/pdf/jped/v81n5s0/v81n5Sa06.pdf
Academica Kelen Cunha.
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